Entrevista com um super aprovado em concursos!

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O Smartyze tem o prazer de compartilhar com vocês a entrevista concedida pelo Procurador da Fazenda Nacional Rubens Quaresma à nossa Equipe de Comunicação. Rubens, que hoje é nosso consultor, nos conta como foi a sua experiência de aprovação no concurso de Técnico bancário da Caixa Econômica Federal, Analista do seguro social do INSS e Procurador da Fazenda Nacional.

Ele também nos fala sobre detalhes da sua preparação, a forma como conciliava vida social e estudo e a sua experiência de uso da revisão espaçada, método utilizado nos cursos Smartyze. Leia e descubra grandes lições que lhe ajudarão a seguir o mesmo caminho de sucesso:

1 – Fale um pouco sobre você. Qual sua idade? De onde você é? Você é formado em que área?

R. Tenho  36 anos, sou natural de Feira de Santana/BA, formado em direito pela Universidade Estadual de Feira de Santana/BA. Gosto de cinema, rock’n’roll, as ciências naturais de um modo geral e muita ficção científica… me considero um nerd de carteirinha (risos).

2- Ao longo da sua preparação como concurseiro, você trabalhava e estudava  ou somente estudava?

R. Sempre tive que conciliar o estudo com o trabalho. Inicialmente estudava e exercia a advocacia, então fui aprovado para o cargo de analista do INSS, depois dessa aprovação, parei por um período de estudar, embora continuasse me inscrevendo para alguns concursos. Depois que “entendi” como o estudo de alto nível deveria funcionar, voltei me dedicar com método, sempre conciliado com o trabalho no INSS, até que fui aprovado no concurso de Procurador da Fazenda Nacional.

3 – Quantos e em quais concursos já foi aprovado?

R. Fui técnico bancário da Caixa Econômica Federal, analista do seguro social no INSS e, hoje, sou Procurador da Fazenda Nacional.

Enquanto ainda estava na faculdade, consegui ser aprovado para o cargo de técnico bancário na Caixa Econômica Federal, fiquei neste emprego durante cerca de 8 meses, até a conclusão do curso de direito. Em seguida, pedi demissão do cargo, fui aprovado no exame da OAB e comecei a advogar. Depois de um tempo, percebi que gostava mesmo da área pública, razão pela qual decidi me dedicar aos concursos. Comecei a estudar, ainda com pouco foco, e fazia os concursos que apareciam, foi então que em 2008 fui aprovado para o cargo de analista do seguro social do INSS. Depois da aprovação, continuei estudando, porém sem qualquer sistemática e de maneira irregular, só em 2010 é que passei a me dedicar com afinco e em 2012/13 (considerando todas as fases, o concurso dura quase um ano) fui aprovado na Procuradoria da Fazenda, onde estou hoje.

4 – Qual é o cargo que você exerce atualmente?

R. Sou Procurador da Fazenda Nacional. De maneira bem resumida, somos responsável pela defesa dos interesses do Governo Federal em matéria de direito tributário. Ainda, temos a competência constitucional de gerir e cobrar a dívida ativa tributária da União.

Administrativamente a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) é vinculada ao Ministério da Fazenda, mas tecnicamente somos subordinadas à Advocacia Geral da União (AGU).

5 – Como era a sua vida social ao longo da preparação para concursos?

R. Sempre fui de pouca badalação, meu lazer costuma ser cinema, jantar com amigos, encontros sociais mais restritos, nunca curti muita festa e balada. Durante o estudo, continuei tentando manter esses hábitos, mesmo porque eles nunca me atrapalharam. Apenas nas fases mais críticas (próximo de alguma prova), evitava sair, mas em geral mantive o domingo como um dia de descanso e livre para esses eventos.

6 – Seus familiares e amigos apoiaram a sua busca por um cargo público?

R. Sim, a família principalmente, sempre me incentivavam a nunca desistir. Os amigos também apoiavam, embora ocasionalmente algum perguntasse “até onde você quer chegar?” ou “vale a pena tanta dedicação?“, porém nada desrespeitoso ou pessimista, sempre num tom mais “…a vida é curta, tem que aproveitar…”.

7 – Você chegou a tentar passar em outros concursos, para se testar e buscar um plano B, ou decidiu manter a atenção somente naquele concurso que era o seu maior objetivo?

R. Quando decidi deixar a advocacia e me dedicar a concurso, sabia que não poderia ficar sem uma fonte de renda, então decidi tentar concursos com uma concorrência menor, fiz provas para técnico e analista de tribunais, foi então que veio a aprovação para o INSS. Essa aprovação foi animadora, mas acabei me deixando levar pela empolgação e perdi o foco, porque o salário, para a realidade da minha cidade, era muito bom. Continuei fazendo provas, porém não tinha nenhum método de estudo, consequentemente tive vários fracassos e tinha a sensação de estar estagnado, porque não observava qualquer alteração no meu rendimento. Veio então um período de desânimo e considerei abandonar os concursos mais concorridos e voltar a me dedicar aos cargos de técnico e analista de tribunal, que embora pagassem quase o mesmo salário que eu já ganhava no INSS, estavam dentro da minha área de formação, o direito. Lembro de pensar que, virando analista de tribunal, iria enveredar para carreira acadêmica, fazer um mestrado e lecionar em faculdades de direito. Seria minha alternativa.

Depois de perceber onde estava errando na minha preparação, consegui passar no concurso que queria e me sinto muito realizado. A ideia da vida acadêmica ainda persiste, mas vejo que estou tão envolvido com minha atividade atual, que a academia tornou-se um projeto para o futuro…

8 – Na sua opinião, vale a pena fazer outros concursos, com abordagem diversa daquele concurso que você realmente sonha?

R. Essa é uma pergunta complexa e, na minha opinião, não tem uma resposta certa.

Penso que depende muito da realidade de cada um. Num cenário ideal, em que o candidato possa se dedicar integralmente ao estudo, sem se preocupar com outras questões de ordem pessoal e financeira, o melhor é não se desviar, focar naquele cargo específico que pretende e talvez fazer outros concursos apenas como treino.

Mas, infelizmente, nem sempre isso é possível. Eu não pude fazer isso, tenho alguns amigos concurseiros que também não, o que acabou nos obrigando a tentar provas para cargos diversos daqueles que sonhávamos. Em sendo essa a realidade do candidato, acredito que ele não deve se recriminar, porém é preciso ter muita consciência de que isso pode ter consequências negativas na preparação e o planejamento deve ser muito rigoroso, para evitar que o estudo para esses cargos diversos acabe por roubar tempo da preparação para o cargo dos sonhos.

9 – Você acha que vale a pena optar por dois cargos no mesmo concurso? Não acha que fica cansativo submeter-se a duas provas em curto intervalo de tempo?

R. Na linha da resposta anterior, penso que o cenário ideal é sempre de foco para um cargo, mas isso não é uma opção para muita gente. Acho que nos casos em que a realidade pessoal compele o candidato a tentar dois cargos, ele deve ter em mente que provas em intervalos curtos pode ser bem cansativo e inevitavelmente prejudicar o rendimento em alguma delas, portanto é preciso pesar bem se vale a pena.

Cai bem aqui uma comparação com os atletas olímpicos, que muitas vezes se habilitam para competir em mais de uma prova, mas mantêm o foco sempre naquela em que é especialista. Se, por qualquer razão, ele perceber que competir em uma prova “secundária” pode afetar seu rendimento na prova principal, imediatamente desiste e prefere se polpar. A lógica no concurso, me parece, deve ser a mesma.

10 – Você estudou por quanto tempo?

R. Durante uns 4 ou 5 anos mais ou menos eu me apresentava como concurseiro, sempre dizia, para amigos e parentes, que estava estudando, mas isso não é bem verdade.

Durante os dois primeiros anos eu não tinha qualquer método ou rotina, estudava o que dava vontade, às vezes por duas ou três horas, em alguns dias por 30 minutos apenas… certa vez passei quase 4 meses sem pegar no livro, em outras eu passei um mês estudando exclusivamente uma matéria… enfim, não sei se posso considerar esse período como tempo de estudo, embora ele tenha sido essencial para eu entender como a preparação para concurso não deve ser.

De modo sério, sistematizado, estudei por aproximadamente dois anos e meio.

11 – Que materiais/métodos você usou em sua preparação para o concurso?

R. Um pouco de tudo. Usei livros, resumos, videoaulas, leituras e áudios da legislação, fiz cursinho e respondia questões.

12 – Quais as vantagens e desvantagens de cada tipo de material/métodos?

R. Acredito que todos os métodos são úteis, embora alguns se adequem mais ao perfil de cada pessoa. Eu sou mais visual que auditivo ou cinestésico, então as videoaulas e a leitura me ajudaram muito. Mas isso não me fez abandonar os outros métodos, sempre ouvia a legislação enquanto estava dirigindo e quando possível resolvia questões de prova, pois notava que aplicar o que eu tinha aprendido na prática me ajudava a reter a informação.

13 – Como você memorizava tanto conteúdo?

R. Como comentei acima, durante cerca de 2 anos eu não estudava com qualquer método ou rotina. Depois de muitos fracassos, percebi que havia algo de errado, o que eu estava fazendo não dava certo, estava estagnado, meu rendimento não se alterava, foi então que um amigo me chamou para dividir com ele um curso para concursos de um renomado professor de direito, que possuía uma escola em São Paulo. Esse professor vendia aulas de algumas matérias em DVD, você comprava e recebia em casa, pelo correio (a banda larga ainda não era tão boa assim, então nada de Streaming ou youtube – risos). Não estava muito empolgado, mas esse amigo falou tão bem que decidi arriscar, compramos o curso e pretendíamos assistir juntos.

O primeiro DVD continha uma apresentação de cerca de uma hora, em que esse professor explicava como o curso funcionava e dava dicas de como estudar para concursos. Os pacotes de DVD’s chegariam a cada 15 dias, quase sempre 15 discos, 1 para cada dia. O professor recomendava que o aluno assistisse as aulas do disco e fizesse um resumo de cada aula. No dia seguinte, antes de começar o próximo DVD, você deveria ler seu resumo do disco anterior e formular questões ou proposições com base no resumo. No terceiro dia, deveria ler as questões do primeiro resumo e respondê-las mentalmente, ler o resumo do segundo dia e formular questões sobre o assunto e só então assistir o 3º DVD e assim sucessivamente.

Minha primeira reação foi de desconfiança, imaginei que aquilo seria muito trabalhoso e demorado, que eu perderia muito tempo. De qualquer modo, decidir tentar. Depois de uma temporada de fracassos em concursos, sabia que precisava fazer algo diferente. Apenas ler livros e apostilas não estava dando certo.

Na época eu não tinha ideia, mas essa é uma forma rudimentar de algo bem conhecido hoje pelos neurocientistas, que é o método da revisão espaçada. O cérebro é muito mais eficaz em reter informação se você repassa ela de tempos em tempos. Comecei a fazer os resumos e as questões antes de ver cada DVD, lá pelo 10º ou 11º DVD percebi que sem grande esforço eu lembrava todas as questões relativas aos temas do 1º DVD, o assunto vinha com muita naturalidade e o mesmo acontecia com todos os outros a medida que eu avançava. Isso me animou muito, pois logo notei que meu rendimento ao responder as questões de provas começou a melhorar.

Depois disso, abracei definitivamente o método. Após quase finalizar o pacote total de DVD’s, no primeiro concurso que me inscrevi, para o cargo de juiz federal, passei pela primeira fase sem muita dificuldade, o que foi uma grande surpresa, pois era algo que nunca havia alcançado. Neste concurso específico eu fui reprovado na segunda etapa, mas só em chegar nela foi uma vitória. Isso me animou muito. O concurso seguinte foi para o cargo em que estou hoje.

14 – O que você acha da revisão espaçada como técnica para ajudar na memorização de conteúdo e de organização da sua rotina?

R. Excepcional! Não vejo palavra melhor para definir. Foi o que me permitiu memorizar a quantidade de conteúdo necessária para passar em um concurso de alto nível. Essa técnica força você a ter organização e otimiza muito o tempo de estudo. Eu utilizei uma forma “rudimentar” de revisão espaçada, hoje sei que não é preciso ver tudo todos os dias para lembrar, com organização é possível revisar apenas aqueles temas que seu cérebro precisa lembrar. Desconheço qualquer outro método que permita esse tipo de otimização do tempo.

15 – Como você conseguia manter a disciplina antes da publicação do edital?

R. Para mim, estabelecer um objetivo para o dia era algo que ajudava muito. Para cada dia de estudo eu tinha um objetivo claro (ex.: ler 35 páginas de determinado conteúdo; ou conclui um capítulo de um livro; ou assistir duas aulas de um tema; etc), dessa forma, era como se cada dia eu tivesse uma conquista.

16 – Resumia os materiais que estudava?

R. Sim. Diante da quantidade de conteúdo cobrada nas provas, os resumos são fundamentais, porque tornam a revisão mais rápida e precisa.

17 – Dedicava-se mais aos exercícios, ou à leitura e releitura da teoria?

R. No início da preparação eu me dedicava mais a leitura, mas com o tempo, a medida que cobria mais e mais temas, a prática de exercícios era mais e mais frequente, até que chegou o ponto em que me dedicava apenas à revisão aos exercícios.

18- Qual é sua opinião sobre a utilização de flashcards durante o estudo?

R. Eu não conhecia essa técnica durante a época que estudei para concursos, mas utilizei recentemente para me preparar para as avaliações da pós-graduação e achei bastante eficaz. Sem dúvida é algo que recomendo.

19 – Como você elaborava o seu plano de estudos?

R. Eu dividia meu ciclo por semanas e cada semana tentava estudar um pouco de todas as matérias cobradas e nunca estudava apenas uma disciplina por dia, via ao menos duas, assim não me sentia cansado por ficar muito tempo lendo apenas uma disciplina.  Para aquelas com mais conteúdo, reservava espaço pelo menos em dois dias da semana e para as com conteúdo menor, via uma vez por semana.

20 – Você tinha mais dificuldades em alguma(s) disciplina(s)? Quais? O que você fez para superar estas dificuldades?

R. Eu não gostava muito de direito penal, isso vinha desde a época da faculdade, e essa falta de afinidade se refletia nas provas, em geral era sempre a disciplina em que eu tinha as menores notas. A revisão constante foi a forma que encontrei de melhorar e sempre revesava espaço para ler os julgados dos tribunais em matéria penal, pois como sempre se referia a análise de um caso concreto, isso me ajudou a memorizar melhor. Os julgadores, ao analisar um caso, trazem conceitos doutrinários para fundamentar a decisão, então eu associava as teorias aos casos em que os juízes utilizavam ela.

21 – Como você estudava na reta final, semanas antes da prova?

R. Basicamente relia meus resumos e fazia questões. Só ia para livros se, ao resolver questões, por acaso me deparasse com algo que não conhecia, alguma coisa nova.

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21 – O que você considera como os maiores erros da sua preparação?

R. Estudar sem método, sem uma rotina, o que aconteceu durante os dois primeiros anos de estudo. Eu lia o que estava com vontade ou então passava muito tempo lendo apenas uma matéria, certamente demorei muito mais para passar por conta dessa falha.

22 – E os maiores acertos?

R. Estabelecer uma rotina (ex.: estudar sempre no mesmo horário) e criar um plano de estudos, lendo várias matérias ao mesmo tempo e dedicando espaço para revisão do que já havia estudado.

23 – Pelo que você observa, quais são os maiores erros cometidos pelos concurseiros?

R. Acho que o maior erro é não se preparar para estudar, fazer o que eu fiz quando comecei, achava que estudar era somente pegar um livro e ler até acabar. Acredito que o planejamento é essencial, programar o que vai estudar, dedicar algumas horas para criar uma estratégia é fundamental.

24 – Como você acredita que o Smartyze pode ajudar a aqueles que se preparam para um concurso público?

R. Smartyze baseia-se na técnica da revisão espaçada que, como já disse, é fenomenal, torna o trabalho de memorização muito mais fácil e rápido. Além disso, a ferramenta praticamente cria o plano de estudos para o concurseiro e isso é singular, não há como mensurar o ganho que isso traz. Eu certamente teria usando se existisse na minha época de preparação.

25 – Qual foi a maior dificuldade que você enfrentou durante a sua preparação?

R. Manter o ritmo, a motivação. Em muitos momentos eu pensei em desistir, achei que não conseguiria e que estava perdendo tempo.

26 – O que lhe motivava a estudar?

R. A perspectiva de realização profissional, de contribuir para a administração do meu país. Além disso, não posso negar, a estabilidade financeira também foi um fator considerado.

27 – Que conselho você daria a alguém que está começando a se preparar para concursos agora?

R. Não desista! Se você tem certeza que a carreira pública é seu objetivo, persista, dedique-se, avalie o que você está fazendo e não tenha medo de mudar sua rotina se isso não estiver gerando o resultado que você espera. Procure se cercar de todas as ferramentas que puder. Quando me preparei, muitas facilidades não existiam, não havia aulas on-line ou sites como o Smartyze. Experimente todas elas, busque cercar-se de tudo que auxilie na preparação, certamente algo funcionará para você.

 

E aí? O que achou da entrevista? Tem alguma pergunta a fazer ao Rubens? Nos envie na caixa de comentários para que ele possa lhe responder.

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